vhils walk and talk fcb video

Achamos importante partilhar. Post de Alexandre Farto
Vhils partilhou o vídeo de Walk&Talk.

Não gosto de fazer posts muito longos mas aqui vai. Vejam o vídeo é obrigatório.
Tenho participado no festival Walk & Talk desde o seu início, em 2011. Sempre acreditei na Diana e no Jesse, assim como em todas as outras pessoas que ajudam a produzir este festival único.
Com todas as dificuldades que enfrenta e a energia muito própria este é um projecto com enorme potencial para mudar quer a realidade local da ilha de São Miguel, como para a projetar no panorama global.
Esta capacidade de agir de forma local com o mundo em mente é, precisamente, uma das suas forças, porque só assim se consegue realmente ter impacto no local. Reflexo disso é a imensa atenção que este festival tem gerado a nível mundial. Quer o Walk & Talk, quer outros festivais que exploram o mesmo conceito em Portugal, têm duas coisas em comum: a enorme projecção que têm conseguido garantir a nível global, e a enorme dificuldade em garantir apoios para assegurar a sua realização e continuidade.
Os poucos, embora cruciais, apoios que têm conseguido parecem irrisórios quando comparados com, por exemplo, aqueles que existem para concertos de música pagos por autarquias. Projectos como o Walk & Talk, além de estabelecerem uma oferta cultural duradoura para as localidades onde se realizam, constituem também uma plataforma de dinamização cultural intergeracional, colocando lado a lado o melhor da criatividade e irreverência das novas gerações com o poder da experiência e conhecimento do nosso espólio nas áreas do design, artesanato, arte, tipografia, performance, tradições e cultura, entre muitas outras. Ecoando nos media internacionais, projectos desta natureza promovem Portugal no mundo, criam impacto, geram um enorme retorno.
Um concerto de um DJ mundialmente conhecido (que também tem a sua importância), financiado por uma autarquia, pode custar 10 ou 20 vezes mais do que o apoio que se dá um evento destes, mas o seu retorno é seguramente menor. Se tivermos em mente o impacto que a arte urbana produzida nestes contextos tem tido nos media internacionais e se analisarmos o potencial contido em cada artigo publicado, estamos perante uma enorme fonte de receitas em termos promocionais e publicitários. O seu retorno tem sido bem mais efectivo e substancial que uma mera campanha publicitária, gerando um interesse considerável pela região e a sua cultura, assim como valores significativos com real impacto na economia.
Se uma fracção daquilo que as autarquias e organismos públicos têm para investir na promoção do país e das suas regiões fosse aplicado em projectos como o Walk & Talk, que garantem um retorno real, que envolvem a participação das suas comunidades, que promovem a riqueza única de cada local no mundo, seria igualmente possível assegurar um melhor aproveitamento daquilo que todos pagamos em impostos.
Projectos culturais que envolvem as nossas comunidades ajudam a valorizar e assegurar a continuidade daquilo que Portugal tem de melhor. E esta diferenciação é a base de uma economia competitiva. Oferta baseada naquilo que nos torna atractivos para os outros e que nos enriquece enquanto povo.
Oferta cultural de qualidade para a localidade, assim como publicidade de alto impacto para os eventos, para as localidades e para o país.
É hora de encaramos isto como a mais-valia que é. Para as cidades, para as regiões, para o país e para a promoção e defesa da cultura local, tradicional e contemporânea.
Esta pode ser a solução para mais do que um dos nossos problemas. E a oportunidade de sermos um povo a fazer o que sabe e gosta.

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