Herberto Helder


Poeta e ficcionista, Herberto Helder frequentou a Faculdade de Letras deCoimbra e exerceu atividades profissionais ligadas ao jornalismo e à edição,tendo colaborado em diversas publicações como Graal, Poesia Experimental 12 e Pirâmide. Na sua poesia, integra a herança do Surrealismo, de Rimbauddos Contos de Maldoror de Lautréamont, assumindo todavia um percurso único nas letras.
Para Fernando Guimarães (cf. Poesia Contemporânea Portuguesa e o Fim daModernidade1989), na poesia de Herberto Helder confluem duas tendências poéticas: uma de libertação da palavra, que liga a sua obra à experiência surrealista pelo encontro da imaginação com a linguagem e pelaaproximação ao poder mágico da palavra; e uma poética de encontro com a palavra, que encerra o poeta no domínio da linguagem, pela experimentaçãolúdica, pela criação de grandes espaços metafóricos construídos a partir darecorrência de temas e termos condutores. Ao mesmo tempo, AntónioRamos Rosa (Incisões Oblíquas1987)  uma distinção entre a poesia de Colher na Bocacorrespondente a uma primeira fase da sua experiênciapoética, onde o poema “é a um tempo mediação mítica e elemental e nele setransmudam originariamente todas as relações entre a consciência e a realidade” (p. 78), e a experiência de Poemacto Máquina Líricaonde a poesia hebertiana sofre uma transformação estrutural, o jogo verbal e os exercícios sobre a materialidade da linguagem tornando-se então dominantes; para, num terceiro momento, a partir de Retrato em Movimentovoltar a “um discurso em que a matéria do universo está presente com uma violência extrema”. É este sentido de abolição da censura racional que preside também à sua obra ficcional, marcando Passos em Volta uma ruturana narrativa dos anos 60, pela sua densidade imagística e irregularidade narrativa.
Foi galardoado com o Prémio Pessoa em 1994.