Efemérides

Todos os dias são dias mas por vezes há datas especiais segundo o calendário.
Por isso celebramos os autores/artistas no dia do seu aniversário.


Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo, prosador, Fernando Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1888 e aí faleceu a 30 de novembro de 1935. É, inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX. Com apenas sete anos e após a morte do pai, partiu para a África do Sulonde o seu padrasto ocupava o cargo de cônsul interino. Durante os dezanos que ali viveu, realizou com distinção os estudos liceais e redigiu alguns dos seus primeiros textos poéticos, atribuídos a pseudónimos,entre os quais se salienta o de Alexander Search. Com dezassete anos, abandona a família e regressa a Portugal, com a intenção de ingressar no Curso Superior de Letras. Em Lisboa, acaba porabandonar os estudos, sobrevive como correspondente comercial deinglês e dedica-se a uma vida literária intensa. Desenvolve colaboração com publicações (algumas delas dirigidas por si) como A República, Teatro,A Águia, A Renascença, Eh Real, O Jornal, A Capital, Exílio, Centauro,Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença,O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento. Com Mário de Sá  Carneiro e Almada Negreiros, entre outros, leva a cabo,em 1915, o projeto de Orpheu , revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores. Tendo publicado em vida, em volume, apenas os seus poemas ingleses e o poema épico Mensagem, a bibliografia que legou à contemporaneidade é de tal forma extensa que o conhecimento da sua obra se encontra em curso, sendo alargado ou aprofundado à medida que vão saindo para o prelo os textos que integram um vastíssimo espólio. Mais do que a dimensão dessa obra, cujos contornos ainda não são completamente conhecidos, profícua em projetos literários, em esboços de planos, em versões de textos, em interpretações e reflexões sobre si mesma, impõe-se, porém, a complexidade filosófica e literária de que se reveste. Dificilmente se pode chegar a sínteses simplistas diante de um autor que,além da obra assinada com o seu próprio nome, criou vários autoresaparentemente autónomos e quase com existência real, os heterónimos, de que se destacam – o seu número eleva se às dezenas – Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, cada um deles portador de uma identidade própria; de uma arte poética distinta; de uma evolução literária pessoal e ainda capazes de comentar as relações literárias e pessoais que estabelecem entre si. A esta poderosa mistificação acresce ainda a obra multifacetada do seu criador, que recobre vários géneros (teatro, poesia lírica e épica, prosa doutrinária e filosófica, teorização literária, narrativa policial, etc.), vários interesses (ocultismo, nacionalismo, misticismo, etc.) e várias correntes literárias (todas por si criadas e teorizadas, como o paulismo, o intersecionismo ou o sensacionismo). Elevando-se aos milhares de milhares as páginas já publicadas sobre a obrade Fernando Pessoa, e, muito particularmente, sobre o fenómeno da heteronímia, uma das premissas a ter em conta quando se aborda o universo pessoano é, como alerta Eduardo Lourenço, não cair no equívoco de “tomar Caeiro, Campos e Reis como fragmentos de uma totalidade que convenientemente interpretados e lidos permitiriam reconstituí-la ou pelo menos entrever o seu perfil global. A verdade é mais simples: os heterónimos são a Totalidade fragmentada […]”. Por isso mesmo e por essência não têm leitura individual, mas igualmentenão têm dialéctica senão na luz dessa Totalidade de que não são partes, mas plurais e hierarquizadas maneiras de uma única e decisiva fragmentação. (p. 31) Avaliando a posteriori o significado global dessa aventura literária extraordinária revestem-se de particular relevo, como aspetos subjacentes a essas múltiplas realizações e a essa Totalidade entrevista, entre outros, o sentido de construtividade do poema (ou melhor, dos sistemas poéticos) e a capacidade de despersonalização obtida pela relação de reciprocidade estabelecida entre intelectualizaçãoe emoção. Nessa medida, a obra de Fernando Pessoa constitui uma referência incontornável no processo que conduz à afirmação da modernidade, nomeadamente pela subordinação da criação literária a um processo defingimento que, segundo Fernando Guimarães, “representa o esbatimento da subjetividade que conduzirá à poesia dramática dos heterónimos, à procura da complexidade entendida como emocionalização de uma ideia e intelectualização de uma emoção, à admissão da essencialidade expressivada arte” bem como à “valorização da própria estrutura das realizações literárias” (cf. O Modernismo Português e a sua Poética , Porto, Lello, 1999,p. 61). Deste modo, a poesia de Fernando Pessoa “Traçou pela sua própria existência o quadro dentro do qual se move a dialética mesma da nossa Modernidade”, constituindo a matriz de uma filiação textual particularmente nítida à medida que a sua obra, e a dos heterónimos, ia, ao longo da década de 40, sendo descoberta e editada, a tal ponto que, a partir da sua aventura poética, se tornou impossível “escrever poesia como se a sua experiência não tivesse tido lugar.” (LOURENÇO, Eduardo, cit. por MARTINHO, Fernando J. B. – Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa – do”Orpheu” a 1960 , Lisboa, 1983, p. 157.)

Efeméride Fernando Pessoa



Pepetela|Escritor angolano, Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos (que adotou Pepetela como pseudónimo) nasceu a 29 de outubro de 1941, em Benguela. Frequentou nessa localidade, até 1956, o Ensino Primário e Secundário, vindo a concluir este no Lubango. Em 1958, partiu para Lisboa para ingressar no Instituo Superior Técnico, iniciando a sua actividade literária, associativa e política na Casa dos Estudantes do Império. Em1962, partiu para França e daí para a Argélia, onde se licenciou em Sociologia pela Universidade de Argel. Foi cofundador do Centro de Estudos Angolanos, onde representa activamente o MPLA. Em 1969, foi chamado para a Frente de Cabinda, onde exerceu actividade guerrilheira e acabou por ser nomeado Diretor do Centro «AugustoNgangula». Em 1973, foi nomeado Secretário Permanente do Departamento de Educação e Cultura.  Em novembro de 1974, fez parte da primeira delegação do MPLA em Luanda, sendo nomeado Diretor doDepartamento de Orientação Política em janeiro de 1975. A partir de julho desse ano, fez parte do EstadoMaior da Frente Centro, e, depois da independência, foi nomeado vice ministro da Educação, cargo que ocupou até dezembro de 1982. Em 1985, tornou-se docente da Universidade de Angola e membro da Comissão Directiva da União de Escritores Angolanos. Em 1980 recebeu o Prémio Nacional de Literatura de Angola pelo livro Mayombe (1980), obra que, juntamente com Muana Puó (1978), Yaka (1985), O Cão e os Caluandas (1985), O Desejo de Kianda (1995), A Gloriosa Família (1997), Parábola do Cágado Velho (1997), A Montanha da Água Lilás, fábula para todas as idades (2000), Jaime Bunda, o agente secreto (2002) e Predadores (2005), entre outras, confirma Pepetela como um dos nomes mais relevantes da literatura contemporânea de língua portuguesa. Em 1997 foi galardoado com o Prémio Camões, considerado o mais importante prémio literário para autores de língua portuguesa.

Efeméride de Pepetela




Mário Quintana | Mário de Miranda Quintana Poeta brasileiro nascido a 30 de julho de 1906, em Alegrete, e falecido a 5 de maio de 1994, em Porto Alegre. Começou a trabalhar na redação dodiário O Estado do Rio Grande em 1929 e depois em vários outros jornais,começando a publicar nessas edições poemas seus. A partir de 1934, iniciauma carreira de tradutor. O seu primeiro livro traduzido foi Palavras deSangue de Giovanni Papini, a que se seguiram nomes como Proust,Voltaire, Conrad, Balzac, Virgínia Woolf, e outros autores importantes. Em1940, publicou o seu primeiro livro de poesias, a Rua dos Cataventos , cujospoemas passaram a integrar livros escolares. A partir de então, váriasobras suas foram publicadas, como Canções (1946), O aprendiz de Feiticeiro(1950), Inéditos e Esparsos (1953), Do Caderno H (1973), Quintanares (1976),Apontamentos de História Sobrenatural (1976), 80 Anos de Poesia (1985),Preparativos de Viagem (1987), Sapato Furado (1994), e várias antologias. A morte e a tristeza são temas muito abordados na poesia de MárioQuintana.

Efeméride de Mário Quintana